quarta-feira, 29 de julho de 2015

POPULAÇÃO DE VICENTE PIRES, VAMOS ACORDAR!?


Esta cidade se tornará uma favela, com puxadinhos, prédios por todo lado e mobilidade caótica, se continuarmos omissos

 (*) Por Geraldo Oliveira - do blog Vicente Pires Alerta

A preocupação com a qualidade de vida nas cidades brasileiras deve estar no foco de todos nós, cidadãos comuns, imprensa, autoridades, empresários, igrejas, escolas, organizações sociais, políticos e, obrigatoriamente, dos gestores públicos. Nossa cidade caminha exatamente para o contrário daquilo que se defende no mundo, que é a preocupação com a qualidade de vida das gerações futuras.
Vicente Pires está prestes a entrar para o rol de cidades que enfrenta problemas endêmicos na questão da mobilidade urbana - temos um exemplo bem próximo de nós que é Águas Claras – tomada pela especulação imobiliária, em que o trânsito é um verdadeiro nó. Todo esse caos decorre da fome por lucro dos empreendedores da construção, que, no afã de auferir cada vez mais lucros, não estão nem aí para o que virá depois.
 Assim como nossa vizinha, prédios e mais prédios nascem todos os dias pelas vias comerciais, sem deixar de mencionar os puxadinhos sem critério do comércio e as chamadas “kits” para aluguel. Relatório de Impacto de Trânsito e estudos técnicos que prevejam impactos das construções nas redes de esgotamento sanitário e de abastecimento de água estão sendo totalmente esquecidos. Aí entra a responsabilidade dos gestores e dos órgãos de fiscalização, que se omitem.
Muitos diriam que é injusto apertar a fiscalização e não permitir aos que chegam agora o mesmo “direito” de construir, já que todos estamos com nossos imóveis erguidos e supostamente seguros contra derrubadas. É verdade, esse direito em tese deve ser igual. Mas, não se trata aqui de justiça e sim da sobrevivência de uma região dominada pela irregularidade, que necessita se organizar.
É preciso interromper o descontrole construtivo sim, seja por um ano ou dois, para se traçar e implementar diretrizes de planejamento, fazer andar os processos regulatórios que estão travados nos órgãos de governo local, federal e nos de controle para, aí sim, de forma direcionada e organizada, a cidade poder crescer em termos sustentáveis.
O poder fiscalizador também necessita ser efetivo. Não estou aqui, logicamente, imputando à população a responsabilidade de fiscalização. Os órgãos governamentais é que precisam fazer esse papal de forma preventiva, educativa e efetiva, deixando claro que seria uma medida temporária, com a perspectiva de se tentar organizar algo que se torna insustentável a cada dia.
Todos que almejamos uma cidade digna para nossos filhos, temos a obrigação de cuidar dela, seja fazendo denúncias formais aos órgãos de controle e de fiscalização ou até mesmo com atitudes simples como não jogar lixo e entulhos pelas vias. Os movimentos comunitários, como as manifestações públicas e os da sociedade organizada também são válidos, pois mostram a força de um povo e a demonstração de sua vontade.
Historicamente, a humanidade demarcou território quando se fez presente e participou de seu próprio destino. É nossa responsabilidade não deixar que esta região seja transfigurada para mais uma cidade de arranha-céus, onde o verde não mais existirá e nada mais se poderá fazer, a não ser conviver com um caos premeditado.
Algumas lideranças comunitárias estão cientes dessa necessidade e tentam conscientizar a população desse papel. Temos líderes e associações no Setor Jóquei, por exemplo, que defendem a preservação do verde das chácaras, assim como aqueles que estão atentos aos prédios construídos em total desrespeito ao gabarito (quantidade de andares). Se surgem, aquela população se junta e denuncia.
Aqui no bairro Vicente Pires, Gilberto Camargos, presidente da AMOVIPE, trava uma luta diária e quase solitária contra a falta de acessibilidade e o desrespeito dos puxadinhos. Rampas de garagem de prédios invadem calçadas e ocupam parte das vias, invadindo o espaço dos pedestres. As calçadas, por sua vez, não possuem sequência, não se observa que é preciso ter continuidade para que um cadeirante possa transitar sem risco de cair ou ter de se desviar.
No bairro Colônia Agrícola Samambaia também há cidadãos conscientes, que lutam contra o esgoto a céu aberto e os buracos há anos, denunciando moradores inescrupulosos, que bombeiam esgoto para as vias públicas. O lixo e o entulho jogado pelas vias são combatidos ferrenhamente por lá. Mas, dizem os voluntários, enquanto uns poucos se preocupam, a maioria faz vista grossa.
Perdoem-me o “puxão de orelhas”, caro amigo e amiga, mas ele é necessário, para nosso próprio bem. Se passarmos da passividade à ação, as gerações futuras certamente se orgulharão do belo lugar que estamos tendo a oportunidade de construir para elas.
Até o próximo mês e um grande abraço!

(*) Geraldo Oliveira é blogueiro, servidor concursado da Câmara Legislativa, Vice-Presidente eleito da UNAVIP e Diretor da AMOVIPE – Associação de Moradores de Vicente Pires e Região.

Um comentário:

  1. Não há mais ingenuos nem santos nem compradores de "boa fé" em Vicente Pires. Todas as pessoas que construiram casas a partir de 2007, após o TAC entre Ministério Publico e GDF, sabem muito bem que além de estarem em completa ilegalidade, estão prejudicando os interesses de uma coletividade de 80.000 pessoas, pois nessas áreas deveriam ser construidos equipamentos publicos - escolas, postos de saude, etc. Assim, assumiram riscos e consequencias por sua própria conduta irresponsavel. Dessa forma, todas as casas e "condominios" que surgiram depois devem ser derrubadas, inclusive os escandalosos prédios que surgem. E sem qualquer acordo. Simples assim.

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