terça-feira, 11 de agosto de 2026

*Vicente Pires chega a 105 mil moradores e amplia debate sobre representação política*

 


*Crescimento populacional transforma a região em um dos principais colégios eleitorais do Distrito Federal e coloca em discussão a capacidade de eleger representantes comprometidos com as demandas locais.*

Vicente Pires deixou há muito tempo de ser vista apenas como uma pequena comunidade do Distrito Federal. Dados da *Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD-A) 2024*, do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), apontam que a população urbana da região chegou a 105.062 pessoas.

Segundo o levantamento, 51,2% da população são mulheres e 48,8% são homens. A idade média dos moradores é de 34,6 anos. (PDAD)

O tamanho da população coloca Vicente Pires diante de uma questão que ultrapassa a disputa eleitoral: qual será o peso político da cidade nas próximas eleições?

*Uma população numerosa diante de uma representação pulverizada*

Com mais de 105 mil moradores, Vicente Pires possui uma população expressiva e enfrenta problemas que exigem decisões dos poderes Executivo e Legislativo, especialmente nas áreas de regularização fundiária, infraestrutura, mobilidade, saúde, educação e serviços públicos.

Nesse cenário, surge uma preocupação entre moradores e lideranças locais: a possibilidade de uma grande quantidade de candidatos disputar praticamente o mesmo eleitorado, dividindo os votos da região.

A pulverização, por si só, não impede a eleição de representantes. Entretanto, pode reduzir a capacidade de concentração de votos em candidaturas identificadas diretamente com as demandas da cidade.

A discussão, portanto, não é sobre impedir candidaturas ou determinar em quem o eleitor deve votar. O debate é sobre quais critérios devem ser utilizados pela população para avaliar quem pretende representar Vicente Pires.

Entre os critérios estão histórico de atuação, presença na comunidade, propostas apresentadas, recursos destinados, participação em discussões sobre a regularização fundiária e capacidade de diálogo com os governos.

*O histórico dos candidatos entra no debate*

Entre os nomes atualmente colocados ou *cotados pelos moradores ou tentando entrar a todo custo* para disputar uma vaga de deputado distrital estão *Gilberto Camargos*, Daniel de Castro, *Silene da Saúde*, *Lyly*, Jovita, Vicenzo, e Enoque, além de outros nomes de Vicente Pires que poderão surgir durante o processo eleitoral.

Cada candidatura deverá ser avaliada pelo eleitor a partir de sua própria trajetória, propostas e atuação.

No caso do deputado distrital Pastor Daniel de Castro, uma avaliação crítica feita por moradores e lideranças de Vicente Pires questiona sua atuação na cidade durante o atual mandato.

A crítica é direta: *mesmo sendo deputado distrital e tendo recebido uma cidade que já possuía recursos e projetos estruturados, qual foi, efetivamente, sua contribuição para a fiscalização e a solução dos problemas de Vicente Pires?*

Ao não priorizar a fiscalização das obras, permitindo que empresas atuassem na região sem o devido acompanhamento, e ao transformar a cidade, em um verdadeiro cabide de empregos para cabos eleitorais — com mais de 80% dos ocupantes vindos de fora e sem compromisso histórico com Vicente Pires —, contribuiu para que a cidade chegasse ao caos em que se encontra hoje. Sua prioridade deixou de ser a solução dos problemas da população e passado a ser a própria reeleição, a qualquer custo.

A pergunta ganha força diante das condições atuais da cidade, que, na avaliação diária de moradores, continua enfrentando problemas de infraestrutura e serviços públicos da pior qualidade, sem fiscalização.

Também é questionada sua atuação recente na região da 26 de Setembro, onde o parlamentar faz discursos em cima de uma pavimentação asfalta de campanha, sem estrutura e tem anunciado investimentos e defendido a implantação de equipamentos públicos, como hospital, posto de saúde, escola e outras estruturas.

A questão colocada é simples:

*Se não conseguiu resolver os problemas de Vicente Pires, poderá fazê-lo na 26 de Setembro?*

E mais:

*Quantos equipamentos públicos foram efetivamente trazidos para Vicente Pires? Em contra partido, quanto foi investido na cultura? E no samba? Quais foram os resultados concretos de sua atuação na cidade?*

Essas são perguntas que podem ser respondidas por meio de documentos, emendas, ações parlamentares e prestação de contas.

*Terracap e regularização fundiária*

Em junho de 2026, Daniel de Castro criticou publicamente o edital da Terracap relacionado à regularização fundiária em Vicente Pires e informou ter protocolado representação no Tribunal de Contas do Distrito Federal pedindo a suspensão do edital. (Clube do Facão)

Na ocasião, o parlamentar afirmou que os valores exigidos poderiam superar a capacidade de pagamento dos moradores e defendeu a discussão do processo com a comunidade. (Clube do Facão)

Em abril, ele também havia se manifestado contra o edital da Terracap, defendendo sua derrubada. (Clube do Facão)

Em junho, durante os debates na Câmara Legislativa, parlamentares discutiram os valores previstos para 160 imóveis comerciais e de uso misto. Segundo a própria CLDF, os valores chegavam a R$ 850 por metro quadrado, e deputados defenderam a revisão do edital e apoiaram proposta de venda dos lotes considerando a chamada “terra nua”. (Clube do Facão)

Posteriormente, em comunicado parlamentar publicado no Diário da Câmara Legislativa, Daniel de Castro afirmou ser contrário aos editais e agradeceu à governadora pela suspensão do processo para rediscussão com a população. (Clube do Facão)

Diante dessa sequência de acontecimentos, permanece uma questão política para os moradores: *qual foi, afinal, o resultado concreto dessas ações para as famílias de Vicente Pires e para aqueles que não têm condições financeiras de adquirir os imóveis pelos valores apresentados?*

*Código de Obras: outro ponto que precisa ser avaliado*

Outro exemplo que deve entrar na avaliação dos eleitores é a alteração do Código de Obras do Distrito Federal.

O *Projeto de Lei nº 2.240/2026*, de autoria dos deputados Wellington Luiz e Pastor Daniel de Castro, foi aprovado pela Câmara Legislativa em maio de 2026. A proposta alterou o artigo 153 da Lei nº 6.138/2018, retirando o marco temporal apontado pelos autores como obstáculo à regularização de determinadas edificações. (Clube do Facão)

A proposta posteriormente foi transformada na Lei nº 7.899, de 3 de junho de 2026. A própria CLDF informa que a norma facilita a regularização de edificações em Vicente Pires. (Clube do Facão)

É legítimo, entretanto, que os moradores também façam sua própria avaliação sobre os efeitos dessa mudança, quem será beneficiado por ela e quais problemas concretos serão solucionados.

Isso não significa que o eleitor tenha qualquer obrigação de gratidão ou de apoiar determinado candidato.

Significa apenas que *ações efetivamente realizadas precisam fazer parte da avaliação pública de qualquer candidatura*, assim como seus resultados e seus beneficiários.

*E os deputados federais?*

A discussão também alcança a representação de Vicente Pires no Congresso Nacional.

Ao longo dos últimos anos, diferentes deputados federais do Distrito Federal participaram de agendas políticas, eventos ou discussões relacionadas às regiões administrativas.

Entre os nomes que podem ser pesquisados pelos moradores estão *Alberto Fraga, Bia Kicis, Erika Kokay, Fred Linhares, Júlio Cesar, Reginaldo Veras, Rafael Prudente, Rodrigo Rollemberg, Gilvan Máximo, Professor Paulo Fernando, Ronaldo Fonseca e outros*.

A questão, entretanto, não deve ser respondida apenas com base na presença durante períodos eleitorais.

A pergunta central é outra:

*Quais desses parlamentares efetivamente estiveram em Vicente Pires?*

*Quais apresentaram propostas?*

*Quais participaram das discussões sobre os problemas da cidade?*

*Quais recursos ou ações conseguiram para a região?*

A resposta exige pesquisa, documentos e prestação de contas.

Mas existe também uma percepção presente entre muitos moradores, que precisa ser confrontada com os registros oficiais: quantos desses parlamentares realmente deixaram resultados concretos para Vicente Pires?

Regularização fundiária continua no centro das preocupações

*A regularização fundiária é uma das principais questões políticas de Vicente Pires.*

O tema ganhou ainda mais importância em 2026, diante dos debates envolvendo os editais da Terracap e os altos valores cobrados pelos imóveis.

A própria Câmara Legislativa registrou manifestações parlamentares em defesa da revisão dos valores e de critérios que possam preservar moradores sem condições de adquirir os lotes. (Clube do Facão)

Além da questão fundiária, a população enfrenta demandas relacionadas à infraestrutura, mobilidade, equipamentos públicos, saúde, segurança e qualidade dos serviços.

Isso aumenta a importância de uma representação política capaz de acompanhar essas questões durante todo o mandato, e não apenas durante o período eleitoral.

*O desafio de transformar população em representação*

Ter mais de 105 mil moradores não significa automaticamente ter uma representação política proporcional ao tamanho da população.

Para que a força demográfica se transforme em força política, é necessário que os eleitores conheçam os candidatos, comparem suas trajetórias e acompanhem aquilo que cada um efetivamente fez ou pretende fazer.

A população também precisa diferenciar promessa eleitoral de compromisso público.

Nesse processo, perguntas simples podem ajudar:

*Quem esteve presente antes da eleição?*

*Quem realmente trabalhou incansavelmente pela cidade, defendendo todos os moradores em todos os momentos?*

*Quem realmente buscou e articulou recursos para a realização das obras que estão aí?*

*Quem buscou atender as famílias necessitadas antes da pandemia, durante a pandemia e depois dela, ajudando de todas as formas possíveis?*

*Quem sempre esteve à frente das discussões sobre a regularização, buscando uma solução real para defender os moradores?*

*Quem conseguiu recursos ou articulou ações para Vicente Pires?*

*Quem sempre cobrou o Governo e os órgãos públicos, enfrentando a tudo e a todos em prol da comunidade?*

*Quem apresentou resultados concretos?*

*Quem apresentou e apresenta projetos para a cidade?*

*Quem apareceu agora apenas para diluir os votos, deixando a cidade sem capacidade de eleger um representante?*

E, principalmente:

*Quem continuará fiscalizando, cobrando e trabalhando pela cidade depois da eleição?*

*Uma cidade que precisa discutir seu futuro político*

Vicente Pires tem população, atividade econômica, problemas urbanos e demandas próprias de uma grande região do Distrito Federal.

A dimensão alcançada pela cidade exige que a discussão eleitoral seja feita de maneira mais ampla e baseada em informações.

A escolha dos representantes pertence exclusivamente ao eleitor. Mas, para que essa escolha seja consciente, é necessário conhecer o passado, acompanhar o presente e cobrar compromissos para o futuro.

Com *105.062 moradores*, segundo a PDAD-A 2024, Vicente Pires tem uma dimensão que não pode ser ignorada no debate político do Distrito Federal. (PDAD)

A questão que fica para a comunidade não é simplesmente quantos candidatos Vicente Pires terá.

É outra:

*Como uma cidade com mais de 105 mil moradores pretende transformar seu tamanho populacional em representação política efetiva?*

Essa resposta, você, morador e eleitor, poderá dar nas urnas — e conviver com os resultados pelos próximos quatro anos.

*INTELIGÊNCIA É ANTECIPAR RESULTADOS, NÃO ESPERAR ACONTECER.*

Gilberto Camargos

quinta-feira, 9 de julho de 2026

JORNAL CONVERSA INFORMAL DE JULHO DE 2026










 

terça-feira, 30 de junho de 2026

Justiça confirma tese defendida pela AMOVIPE e determina plano para combater irregularidades urbanísticas em Vicente Pires



Sentença reconhece falhas do Poder Público, valida atuação da associação e adota solução defendida pela entidade para proteger moradores e garantir a regularização responsável da cidade

Após anos de denúncias, mobilização comunitária e atuação judicial firme em defesa de Vicente Pires, a Associação de Moradores de Vicente Pires e Região (AMOVIPE) obteve uma importante vitória na Ação Civil Pública que discute o crescimento desordenado de edificações irregulares na cidade.

A sentença proferida pela Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal confirmou justamente aquilo que a associação sustentou durante todo o processo e, principalmente, em suas alegações finais: a necessidade de atuação efetiva do Poder Público para conter irregularidades urbanísticas, proteger a população e promover a adequação das edificações dentro da legalidade.

Ao contrário do que alguns tentaram fazer acreditar ao longo da tramitação da ação, a AMOVIPE jamais defendeu a destruição indiscriminada de prédios, perseguição a moradores ou paralisação da regularização fundiária. Nas alegações finais apresentadas ao juízo, a associação foi clara ao afirmar que a prioridade deveria ser a fiscalização eficiente, a correção das irregularidades, a responsabilização dos infratores e a busca de soluções técnicas e jurídicas capazes de proteger a coletividade.

A própria manifestação final da entidade destacou que a demolição deveria ser medida excepcional, utilizada apenas nos casos em que não houvesse possibilidade de adequação ou regularização, especialmente quando presentes situações de risco à população ou violações urbanísticas insanáveis.

Foi exatamente essa linha de raciocínio que prevaleceu na sentença.

O magistrado reconheceu que Vicente Pires convive com inúmeras irregularidades urbanísticas e que o Poder Público não cumpriu adequadamente suas obrigações de fiscalização ao longo dos anos. Mais do que isso, afastou diversas teses apresentadas pelos réus que buscavam transferir toda a responsabilidade para os particulares ou utilizar o processo de regularização fundiária como justificativa para a continuidade de construções em desacordo com a legislação.

A decisão reconhece que a regularização fundiária não elimina o dever do Estado de fiscalizar, embargar obras ilegais e promover o ordenamento urbano da cidade. Em outras palavras, a sentença acolheu o entendimento defendido pela AMOVIPE de que regularizar a terra não significa permitir o crescimento urbano sem controle.

Um dos aspectos mais relevantes da decisão foi a determinação para que o Distrito Federal elabore um plano de ação voltado ao enfrentamento da verticalização irregular e à identificação das edificações que podem ou não ser regularizadas. Na prática, trata-se de uma solução muito próxima daquela defendida pela associação em suas alegações finais, quando sustentou que o caminho mais adequado seria a adoção de medidas estruturais, fiscalização permanente, readequação das construções quando possível e utilização de instrumentos como termos de ajustamento de conduta e outras soluções técnicas antes da adoção de medidas extremas.

A sentença também impõe obrigações à TERRACAP, à CAESB, à Neoenergia e aos conselhos profissionais, criando um sistema integrado de controle e responsabilização para impedir que novas irregularidades continuem se multiplicando na região.

O resultado demonstra que a estratégia adotada pela associação foi responsável, equilibrada e comprometida com os interesses da comunidade. Enquanto muitos tentaram apresentar a ação como uma ameaça aos moradores, o que se verifica agora é que a Justiça reconheceu a legitimidade da preocupação da AMOVIPE e determinou providências concretas para proteger a cidade.

A decisão ainda afasta a narrativa de que a associação buscava impedir a regularização fundiária. Pelo contrário: a sentença deixa claro que regularização e fiscalização devem caminhar juntas. O objetivo não é prejudicar quem mora em Vicente Pires, mas garantir que a cidade tenha infraestrutura adequada, segurança, mobilidade urbana, acessibilidade e respeito às normas que protegem a coletividade.

Para a diretoria da AMOVIPE, a decisão representa o reconhecimento de uma luta que vem sendo travada há anos em defesa dos moradores. Mesmo enfrentando forte resistência política, econômica e institucional, a associação manteve sua posição de que o desenvolvimento da cidade deve ocorrer de forma organizada, segura e compatível com a capacidade da infraestrutura urbana.

A sentença não resolve todos os problemas existentes, mas estabelece um marco importante para o futuro de Vicente Pires. Ela reconhece que havia fundamento nas denúncias feitas pela comunidade, confirma a necessidade de atuação mais efetiva dos órgãos públicos e cria mecanismos para que a expansão urbana ocorra dentro da legalidade.

Mais do que uma vitória processual, trata-se da confirmação de que a AMOVIPE escolheu o caminho correto: defender os moradores, proteger a cidade e buscar soluções que conciliem regularização, segurança jurídica e qualidade de vida para todos.

O resultado demonstra que cada denúncia, cada reunião, cada documento protocolado e cada ação judicial promovida pela associação tiveram um propósito claro: construir uma Vicente Pires melhor para as atuais e futuras gerações. E a própria sentença agora confirma que essa luta nunca foi contra os moradores, mas sempre em favor deles.