segunda-feira, 11 de maio de 2026

JORNAL CONVERSA INFORMAL DE MAIO DE 2026

 










sexta-feira, 8 de maio de 2026

Pânico em Vicente Pires: edital da URB 26/19 gera revolta, insegurança e mobilização social

 


A publicação do edital de licitação da URB 26/19 desencadeou uma forte reação entre os moradores de Vicente Pires, no Distrito Federal. A medida, que trata da regularização fundiária na região, tem sido alvo de críticas contundentes por parte da comunidade, que considera os valores apresentados incompatíveis com a realidade econômica local e desproporcionais diante das condições históricas de ocupação 

da área.


Formada majoritariamente por famílias que residem no local há mais de 30 anos, Vicente Pires é fruto de um processo de consolidação urbana marcado por investimentos diretos dos próprios moradores. Ao longo das décadas, a população arcou com custos de infraestrutura básica, como abertura de vias, drenagem, redes de água e energia, entre outras benfeitorias essenciais para a habitabilidade da região.


Segundo lideranças comunitárias, o edital não reconhece de forma justa esses investimentos. Os critérios de abatimento apresentados, que deveriam considerar as melhorias realizadas pelos moradores, são apontados como insuficientes e distantes da realidade. “Existe uma discrepância evidente entre o que foi investido pela população ao longo dos anos e o que agora está sendo cobrado. Muitas famílias simplesmente não têm condições de pagar”, afirmam representantes de associações locais.


O impacto social da medida já é perceptível. Moradores relatam aumento da ansiedade, crises emocionais e uma sensação generalizada de insegurança. Há registros de pessoas buscando atendimento médico em razão do estresse causado pela incerteza sobre a permanência em suas próprias casas. Em situações mais graves, lideranças alertam para quadros de desespero que exigem atenção urgente das autoridades públicas.


A situação é ainda mais delicada para idosos, muitos dos quais vivem há décadas nos mesmos imóveis e construíram ali toda a sua trajetória de vida. Sem condições de arcar com pagamentos à vista e, em muitos casos, sem acesso a crédito para financiamento, esse grupo se vê particularmente vulnerável diante das exigências impostas pelo edital.


Diante desse cenário, a população tem buscado alternativas no campo jurídico. Ações judiciais pipocam a todo momento com o objetivo de questionar os critérios adotados e suspender os efeitos do edital até que haja uma reavaliação mais equilibrada. Paralelamente, associações de moradores têm intensificado a mobilização social, promovendo reuniões, articulações institucionais e campanhas de conscientização.


No campo político, o tema também tem gerado controvérsias. Parte da comunidade expressa insatisfação com a atuação de representantes eleitos, alegando falta de apoio efetivo às demandas locais. Até o momento, não há posicionamentos públicos detalhados que enfrentem diretamente as críticas apresentadas pelos moradores.


Especialistas em regularização fundiária destacam que processos dessa natureza exigem sensibilidade social e equilíbrio técnico, sobretudo em áreas consolidadas há décadas. A ausência de diálogo amplo com a comunidade e a adoção de critérios considerados rígidos podem comprometer não apenas a efetividade da política pública, mas também a estabilidade social da região.


Enquanto o impasse persiste, Vicente Pires vive um momento de tensão e incerteza. Para seus moradores, a questão vai além de valores financeiros: envolve o direito à moradia, o reconhecimento de uma história construída coletivamente e a garantia de permanência em um território que ajudaram a transformar.


A expectativa agora recai sobre a abertura de canais de diálogo entre os deputados distritais para aprovação de uma lei que mude a forma de regularizar pela Terracap e também com as instituições jurídicas, na busca por uma solução que concilie legalidade, justiça social e viabilidade econômica. Até lá, o sentimento predominante entre os moradores é de apreensão — e de luta por aquilo que consideram um direito fundamental: permanecer em suas casas com dignidade.


Gilberto Camargos


terça-feira, 5 de maio de 2026

Do limão à limonada… e ao suco de conveniência política


Por Lúcio Big

Dizem que na política, como na cozinha, tudo depende do tempero. Em Vicente Pires, a receita mais recente parece ter seguido à risca aquele velho ditado: “se a vida te der um limão, faça uma limonada”. O problema é quando o limão já vem espremido, o copo já está servido — e o político aparece só para segurar o canudinho.

O caso do edital do trecho 2 é emblemático. Lançado, como bem apontou o deputado distrital Daniel de Castro, “no apagar das luzes”, o processo foi inicialmente tratado por ele como algo indigesto. Criticou, condenou, rejeitou. Disse ser contra. Foi além: cravou, com a segurança de quem parece falar com o futuro, que o edital seria cancelado.

Mas o futuro chegou — e não cancelou nada.

E eis que, num giro digno de contorcionismo político, o mesmo deputado surge sorridente ao lado da governadora, posando para fotos como se tivesse sido o grande responsável por uma conquista histórica para a região. O limão virou limonada. Ou melhor: virou suco de conveniência, daqueles feitos na hora, conforme o paladar eleitoral.

A pergunta que fica para nós, moradores, é simples: em que momento a crítica virou mérito?

Porque, sejamos francos, se o edital era ruim ontem, o que exatamente o tornou bom hoje? Foi o conteúdo? Ou foi a fotografia ao lado do poder?

Mas essa história não termina no deputado. Há um pano de fundo mais interessante — e talvez mais revelador.

O governador Ibaneis Rocha, que já não esconde de ninguém suas ambições políticas futuras, parece ter descoberto em obras e regularizações tardias uma espécie de atalho para o calendário eleitoral. Com possibilidades que vão desde uma candidatura ao Senado até voos mais altos no cenário nacional, a pressa em “resolver” problemas históricos ganha uma nova leitura: não é sobre resolver, é sobre mostrar que resolveu — ainda que no último minuto.

E o trecho 2 entra exatamente nessa equação.

Regularizar às pressas, lançar edital no fim do ciclo, criar fato político e distribuir protagonismo. É a velha estratégia de transformar obrigação em favor, planejamento em improviso e política pública em palanque.

Enquanto isso, nós, moradores, assistimos ao espetáculo.

Sabemos que Vicente Pires não nasceu ontem. Que os problemas são antigos. Que a infraestrutura não é uma novidade descoberta em ano pré-eleitoral. E sabemos, principalmente, que quando a solução chega “no apagar das luzes”, ela ilumina mais o cenário político do que as ruas da cidade.

No fim das contas, talvez o deputado tenha razão em uma coisa: é preciso saber fazer limonada.

Só esqueceram de avisar que o limão, neste caso, foi colhido às pressas, espremido por conveniência e servido como se fosse um banquete.

E nós? Bem, nós seguimos aqui, pagando caro e tentando entender se estamos diante de uma obra pública… ou de mais um ensaio de campanha.