segunda-feira, 5 de outubro de 2026

GILBERTO CAMARGOS OBTÉM 1.770 VOTOS APÓS DISPUTA JUDICIAL E CAMPANHA CURTA E SEM ESTRUTURA

 


Candidato do AVANTE terminou como o sexto mais votado entre os 25 nomes do partido para deputado distrital, depois de enfrentar uma disputa interna e judicial para conseguir permanecer na eleição

As urnas das eleições de 2026 reservaram um resultado que merece ser analisado além dos números para o candidato a deputado distrital Gilberto Camargos (AVANTE), número 70333.

Mesmo prejudicado pelo partido, Camargos recebeu 1.770 votos e terminou como o sexto mais votado entre os 25 candidatos do AVANTE à Câmara Legislativa, ficando à frente de 19 integrantes da própria nominata. O resultado oficial reproduzido a partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral confirma os 1.770 votos. Radar do Voto

O número ganha contexto quando se observa a trajetória incomum de sua candidatura.

Uma candidatura que precisou passar pela Justiça

Antes de pedir votos, Gilberto Camargos precisou disputar o próprio direito de permanecer candidato.

Documentos analisados durante o processo mostram que seu nome constava na convenção partidária do AVANTE como Gilberto Camargos, número 70333, candidato nº 19. Posteriormente, entretanto, uma deliberação da Comissão Executiva partidária o retirou da nominata com o argumento de adequar o número de candidatos ao limite permitido.

Camargos contestou a exclusão e levou o caso à Justiça Eleitoral. O processo passou por diferentes fases, incluindo pedido de acesso ao CANDex, RRCI, decisão desfavorável e recursos.

Em 31 de agosto, o TRE-DF chegou a indeferir seu RRCI, considerando válida a delegação conferida à Executiva partidária para adequar a chapa.

Camargos recorreu.

Dias depois, ocorreu uma reviravolta: em 6 de setembro, o próprio AVANTE requereu o registro de Gilberto em substituição a outro candidato. Documentos do processo registraram ainda que, enquanto não havia trânsito em julgado, ele permanecia apto no sistema eleitoral.

A situação finalmente se consolidou e a candidatura de Gilberto Camargos 70333 terminou deferida pela Justiça Eleitoral. Bases que reproduzem os dados do TSE registraram a mudança da situação eleitoral para “deferido” em setembro. MeuVoto

Ou seja: uma parcela importante do período em que outros candidatos já organizavam e desenvolviam suas campanhas foi consumida, no caso de Camargos, pela disputa sobre a própria candidatura.

Campanha efetiva começou apenas em 19 de setembro

Segundo Camargos, diante desse histórico, sua campanha efetiva somente conseguiu ganhar as ruas em 19 de setembro, restando pouco mais de duas semanas até a votação.

Ele também afirma que não contou com inserções próprias relevantes em televisão, equipe profissional ou estrutura partidária equivalente à disponibilizada a outras candidaturas.

Sua campanha acabou concentrada principalmente em Vicente Pires, região onde desenvolve trabalho comunitário há anos, e em contatos pessoais mantidos em outras regiões do Distrito Federal.

O material também foi reduzido.

Segundo o levantamento apresentado pelo próprio candidato para sua prestação de contas, foram aproximadamente 10 mil santinhos, 10 banners de 50 x 70 centímetros e alguns adesivos. O material gráfico, no valor informado de R$ 1,8 mil, foi custeado por uma pessoa física e deverá constar na prestação eleitoral conforme as regras aplicáveis às doações de campanha.

Não havia uma estrutura profissional de distribuição. O trabalho, segundo Camargos, foi realizado principalmente pelo próprio candidato, familiares, amigos e voluntários nos horários em que tinham disponibilidade.

Mesmo nessas condições, sexto lugar dentro do AVANTE, sendo proporcionalmente o mais votado entre os eleitos, levando em consideração os valores gastos e a estrutura de cada candidato que se elegeu, ou ficou como suplente.

É nesse contexto que os 1.770 votos podem ser analisados.

O AVANTE apresentou 25 candidatos a deputado distrital. A lista pública das candidaturas confirma os 25 nomes. HubPolítico

A chapa obteve 46.628 votos nominais.

Gilberto sozinho respondeu por aproximadamente 3,8% dos votos nominais do partido e terminou em sexto lugar na votação interna do AVANTE. DeFato Online

À sua frente ficaram Daniel Radar, com 10.837 votos; Rogério Ulysses, 9.055; Silene da Saúde, 7.728; Evaldo Lobato, 2.874; e Wilson Amigão, 2.033.

A diferença entre Wilson, quinto colocado, e Gilberto foi de apenas 263 votos.

Logo atrás de Camargos apareceu Flavio Potiguar, com 1.751 — diferença de somente 19 votos. DeFato Online

Há uma concentração relevante no topo da chapa: somente os três primeiros — Daniel Radar, Rogério Ulysses e Silene da Saúde — acumularam 27.620 votos, aproximadamente 59,2% de toda a votação nominal do AVANTE para distrital.

Isso não permite afirmar quantos votos Gilberto teria obtido caso tivesse começado antes ou recebido estrutura maior. Eleições envolvem inúmeras variáveis.

Permite, entretanto, registrar objetivamente que um candidato que enfrentou uma disputa partidária e judicial durante parte relevante do período pré-eleitoral terminou entre os seis mais votados de uma nominata de 25 candidatos.

Resultado também chama atenção diante da chapa federal

A comparação numérica com a chapa do AVANTE para deputado federal também fornece outra dimensão do resultado.

Os nove candidatos do partido a deputado federal somaram 8.539 votos nominais.

Gilberto, sozinho, recebeu 1.770 votos para deputado distrital, número equivalente a aproximadamente 20,7% de toda a votação nominal obtida pelos nove candidatos federais do AVANTE juntos.

É apenas uma comparação quantitativa — os cargos, eleitorados estratégicos e campanhas são diferentes —, mas demonstra a dimensão numérica dos votos recebidos por Camargos dentro do desempenho partidário.

Gilberto considera resultado uma vitória diante das circunstâncias

Para Camargos, os 1.770 votos precisam ser compreendidos principalmente pelas condições em que sua campanha chegou às ruas.

Ele atribui sua votação ao histórico de atuação comunitária, especialmente em Vicente Pires, e ao trabalho de familiares, amigos e voluntários.

“Eu não tive uma estrutura de campanha. Tive pessoas que acreditaram no trabalho que realizamos durante anos. Cada um ajudou como podia e quando podia. Por isso, não consigo olhar para esses 1.770 votos como uma derrota. Para mim, cada voto representa uma pessoa que conheceu nossa história e acreditou nela.”

Há ainda uma diferença importante entre resultado eleitoral e trabalho comunitário.

Uma eleição mede votos obtidos naquele momento. Não mede, isoladamente, a quantidade de ações realizadas anteriormente por um candidato, tampouco permite determinar quantos votos determinada estrutura financeira, partidária ou publicitária teria acrescentado.

Mas os números permitem uma constatação objetiva: depois de uma candidatura marcada por disputa partidária e judicial e de uma campanha que, segundo Camargos, foi realizada em período reduzido e com estrutura limitada, Gilberto terminou à frente de 76% dos candidatos distritais apresentados pelo próprio AVANTE — 19 dos outros 24 nomes.

Para ele, a eleição termina, mas o trabalho comunitário continuará.

“Mandato ajudaria a fazer muito mais, mas nunca foi o mandato que determinou meu trabalho. Vou continuar fazendo aquilo que fazia antes da eleição: cobrando, fiscalizando, lutando e ajudando a população dentro das minhas possibilidades.”

Votação completa do AVANTE para deputado distrital

A apuração consultada registra os seguintes resultados para os 25 candidatos do partido: DeFato Online

CandidatoNºVotos
Daniel Radar7000010.837
Rogério Ulysses703219.055
Silene da Saúde701117.728
Evaldo Lobato705552.874
Wilson Amigão701232.033
Gilberto Eliazario de Camargos703331.770
Flavio Potiguar703691.751
Delegado Laercio702551.482
Gabriela Freire701001.271
Cabo Vitorio70190979
Dr. Caio Gracco70999905
Prof. Wesley70222872
Marcele Mama70789630
Issa70007565
Anderson Guiné70777533
Lauricio Radiosaúde70234480
Sandra Silva70770475
Renato Silveira Barbosa70193470
Patricia da Feira70077438
Dr. Helio Gomes70122430
Lau de Paula70700378
Angelica70022267
Mari Teixeira70870180
Clemilton70456147
Lyly do Avante7070778

Total nominal: 46.628 votos.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

JORNAL CONVERSA INFORMAL DE SETEMBRO DE 2026











ELEIÇÕES NO DF: ENTRE A MÁQUINA PÚBLICA E OS MILHÕES, ONDE FICA O CANDIDATO DO POVO?”

 


Campanha marcada por excesso de propaganda, estruturas milionárias, candidatos sem história de atuação social e questionamentos sobre o uso da máquina pública expõe uma disputa cada vez mais desigual no Distrito Federal


As eleições de 2026 no Distrito Federal deveriam representar o momento em que a população compara histórias, propostas, capacidade, caráter e compromisso com a sociedade para decidir quem merece representá-la.


Mas o cenário que se vê nas ruas parece cada vez mais distante disso.


São milhares de candidatos disputando os mais diversos cargos. A quantidade, por si só, faz parte da democracia. O problema começa quando, em meio a tantos nomes, propostas concretas, histórico de luta pela população e serviços efetivamente prestados à sociedade parecem perder espaço para uma verdadeira guerra de estruturas, dinheiro, publicidade e ocupação das ruas.


Em diversos pontos do Distrito Federal, a campanha virou uma disputa visual e sonora. Wind banners espalhados pelas vias, bandeiras por todos os lados, equipes numerosas em feiras e locais de grande circulação, carros, eventos, festas, fogos de artifício e verdadeiras operações de marketing político.


Ter recursos e fazer propaganda dentro da lei é legítimo.


A pergunta é outra: em que momento a eleição deixou de ser uma disputa de ideias para se transformar em uma demonstração de poder econômico e de estrutura?


DINHEIRO NÃO PODE VALER MAIS QUE HISTÓRIA


Outro fenômeno chama atenção: candidatos novos chegando à política com estruturas milionárias, alguns pertencentes a famílias economicamente poderosas do Distrito Federal e capazes de gastar cifras que estão completamente fora da realidade de um candidato comum.


Novamente, ser rico não é crime, tampouco pode ser motivo para impedir alguém de disputar uma eleição.


O problema é a desigualdade prática da disputa.


De um lado, candidatos com dinheiro para grandes estruturas, equipes numerosas, publicidade e presença maciça nas ruas.


Do outro, cidadãos vindos das comunidades, lideranças que passaram décadas lutando por saúde, educação, regularização, infraestrutura, segurança e direitos da população, mas que não possuem milhões para transformar cada esquina em uma vitrine eleitoral.


Muitos têm história, trabalho prestado, honestidade e ficha limpa, mas entram na disputa em enorme desvantagem financeira.


E justamente essas pessoas poderiam representar a renovação que tanto se cobra da política.


Se somente quem possui dinheiro ou estrutura conseguir ser visto, que renovação política teremos?


E A MÁQUINA PÚBLICA?


Existe ainda uma questão mais grave e que precisa ser acompanhada de perto pelos órgãos de fiscalização: a possível utilização política da estrutura pública durante o período eleitoral.


Deputados que disputam a reeleição e integram a base governista possuem influência política, relações dentro da administração pública e proximidade com estruturas do governo.


É necessário fiscalizar rigorosamente se administrações regionais, secretarias, cargos comissionados, contratos, nomeações e demais estruturas públicas estão sendo utilizados exclusivamente em benefício da população ou se, direta ou indiretamente, acabam servindo para fortalecer projetos eleitorais.


Não se pode afirmar, sem provas individualizadas, que todo servidor comissionado seja cabo eleitoral ou que toda indicação política represente compra de votos.


Mas também não se pode fingir que esse risco não existe.


Cargo público não pode virar moeda eleitoral. Secretaria não pode virar comitê político. Administração Regional não pode pertencer a deputado. E dinheiro público jamais pode financiar, direta ou indiretamente, projeto de reeleição.


Se houver utilização eleitoral dessas estruturas, estaremos diante de algo muito mais grave do que uma simples vantagem de campanha: estaremos falando da quebra da igualdade entre os candidatos e do uso de patrimônio que pertence a toda a sociedade.


QUEM FISCALIZA OS PODEROSOS?


Talvez essa seja uma das maiores inquietações desta eleição.


Nunca foi tão necessário perguntar:


Quem está fiscalizando?


Quem acompanha a utilização da máquina pública?


Quem verifica possíveis abusos de poder político e econômico?


Quem acompanha a relação entre ocupantes de cargos públicos e campanhas eleitorais?


Quem fiscaliza gastos, estruturas gigantescas e eventuais irregularidades?


A Justiça Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral e os demais órgãos competentes possuem instrumentos para atuar. Mas a fiscalização precisa ser percebida nas ruas e, sobretudo, precisa alcançar todos igualmente.


Porque uma eleição não é verdadeiramente democrática apenas porque qualquer cidadão pode registrar uma candidatura.


Ela precisa oferecer condições minimamente equilibradas para que as pessoas possam disputar o voto.


PODER PELO PODER


O Distrito Federal não precisa simplesmente trocar nomes.


Precisa mudar práticas.


Não precisamos de milhares de candidatos apenas querendo ocupar uma cadeira, conquistar poder, salário, influência ou espaço político.


Precisamos perguntar a cada candidato:


Onde você estava antes da eleição?


O que você fez pela sociedade quando não precisava de votos?


Que luta enfrentou?


Que problema ajudou a resolver?


Qual resultado concreto deixou para a população?


E quais são suas propostas para os próximos quatro anos?


Porque aparecer durante alguns meses, espalhar milhares de bandeiras, contratar equipes, fazer festas, produzir vídeos e investir fortunas em publicidade não cria história.


História é construída antes da eleição.


A POLÍTICA NÃO PODE SER EXCLUSIVA 

DOS RICOS E DOS DONOS DA MÁQUINA


A democracia começa a adoecer quando uma pessoa comum, mesmo tendo décadas de serviços prestados, percebe que precisa enfrentar simultaneamente candidatos milionários e políticos que já possuem enorme estrutura de poder.


Não podemos aceitar que disputar uma eleição no Distrito Federal se transforme em privilégio de quem possui milhões, famílias poderosas, padrinhos políticos ou influência dentro do governo.


O cidadão que veio da comunidade precisa ter o direito real — e não apenas formal — de disputar.


O líder comunitário precisa poder disputar.


O professor precisa poder disputar.


O profissional de saúde precisa poder disputar.


O pequeno empresário precisa poder disputar.


A dona de casa precisa poder disputar.


O trabalhador precisa poder disputar.


E todos precisam ser julgados pelo eleitor principalmente por suas propostas, sua história, sua capacidade e seu caráter, e não pelo tamanho da estrutura financeira que conseguem colocar nas ruas.


A ELEIÇÃO PASSA. A HISTÓRIA FICA.


O eleitor precisa começar a olhar além da bandeira, do wind banner, da festa, do vídeo bonito e da quantidade de pessoas contratadas ou mobilizadas nas ruas.


Antes de escolher alguém, procure saber quem essa pessoa era antes de precisar do seu voto.


Porque depois das eleições as bandeiras desaparecem.


Os wind banners são recolhidos.


As equipes deixam as ruas.


As festas acabam.


E muitos candidatos também desaparecem.


Quem realmente trabalha pela sociedade, porém, continua lá.


Talvez a maior revolução eleitoral que o Distrito Federal possa fazer em 2026 não dependa de dinheiro, estrutura ou máquina pública.


Dependa apenas de uma pergunta feita conscientemente diante da urna:


“O que esse candidato já fez pela sociedade antes de pedir o meu voto?”


Essa resposta pode separar quem deseja apenas chegar ao poder de quem realmente pretende utilizá-lo para servir à população.


Gilberto Camargos