segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Filho de bombeiro preso por grilagem é dono de prédio que desabou em Vicente Pires, diz PCDF

Pai e filho, além de outras três pessoas, são acusados de vender lotes e casas por mais de R$ 250 mil em áreas públicas



Um bombeiro militar do Distrito Federal e seus dois filhos foram presos nesta sexta-feira (12/1) pela Polícia Civil durante operação contra o parcelamento irregular do solo. De acordo com a PCDF, Carlos Eduardo de Andrade Muniz tem 13 termos circunstanciados (lesão corporal, ameaça, desobediência e desacato, entre outros) e é alvo de dois inquéritos policiais. Apesar da ficha corrida, seguia nos quadros da corporação.
Um dos filhos dele, Lucas de Souza Muniz, seria dono do prédio que desabou na Colônia Agrícola Samambaia, em Vicente Pires, em outubro do ano passado, segundo a PCDF. O corpo do técnico em edificações  Agmar Silva, 55 anos, foi resgatado sob os escombros.
O bombeiro, considerado chefe da organização, já foi preso temporariamente duas vezes em outras investigações. A primeira, em 2011, na Operação Acton, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco); e a segunda, em 2016, na Operação Sentinela, da Dema. Ambas visavam reprimir os crimes de parcelamento irregular do solo para fins urbanos, dano ambiental, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A ação, batizada de Déjà-vu, colocou atrás das grades outras três pessoas: Carlos Eduardo de Andrade (filho do bombeiro), Edvaldo Luiz Lima de Souza e Edenjones Albuquerque. Onze mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Águas Claras, Gama, Vicente Pires, Samambaia, Taguatinga e Guará.
Coordenada pela Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística
(Dema), a investigação mirou nos crimes de grilagem, dano ambiental, associação criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com a polícia, os investigados se uniram para parcelar ilegalmente a Chácara 12, da Colônia Agrícola Águas Claras, no Guará.

Em entrevista, a delegada Marilisa Gomes explicou que o bombeiro coordenava várias empresas de construção e engenharia. O grupo faturava com a construção de imóveis em áreas invadidas. O lote que motivou a operação desta sexta tem cerca de seis comércios construídos além de 15 residências. Trata-se de Área de Preservação Ambiental de propriedade da Terracap.
A área total é de 2,3 mil hectares e cada lote foi dividido de 500 a 900 metros quadrados. Eles eram comercializados por valores que variavam de R$ 250 mil a R$ 300 mil. A prisão temporária vale por cinco dias, mas pode ser prorrogada ou convertida em preventiva. O bombeiro vai ser transferido para a Papudinha, onde ficam advogados e militares.




Atividade paralela
De acordo com a polícia, o militar levava uma vida de luxo, bem acima do que o salário de bombeiro poderia pagar. Porém, em função da atividade paralela, a família mudava frequentemente de endereço. Com os três, foram encontrados celulares, computadores e grande quantidade de cheques. “Vamos analisar a documentação apreendida, fazer análise de vínculos, periciar celulares e computadores. Esse material pode nos levar a outros crimes cometidos pelo grupo”, destacou a delegada. As vendas eram realizadas por meio da internet e imobiliárias.

As pessoas que compraram lotes dos suspeitos também serão investigadas e podem ser autuadas por participação no parcelamento irregular do solo. Cerca de 10 moradores já foram ouvidos. “Os adquirentes desses lotes irregulares não podem alegar desconhecimento da lei ou da origem desses lotes. Entendemos que quem compra também participa do crime”, afirmou a chefe da Dema.
Segundo o Corpo de Bombeiros, Carlos Eduardo é terceiro-sargento. A corporação informou que o caso é acompanhado pela corregedoria: “Tão logo mais informações sejam repassadas pela Polícia Civil do DF a respeito do caso, estas serão agregadas aos autos do processo administrativo já em andamento, uma vez que o militar, hoje na reserva remunerada, responde a Conselho de Disciplina, no âmbito do CBMDF”.
Prisões
Desde o ano passado, a PCDF vem realizando diversas operações para conter a ocupação irregular de terras na capital do país. Nos últimos meses, as ações se multiplicaram e levaram à cadeia servidores públicos do GDF, advogados e até síndicos de condomínios de áreas nobres, como o Lago Sul e Park Way.

De janeiro a novembro de 2017, a Dema prendeu 34 pessoas por parcelamento irregular do solo, crime previsto na Lei nº 6.766, de 1979. A unidade especializada da Polícia Civil fez, ainda, 39 operações, cumpriu 105 mandados de busca e apreensão e evitou que 3.075 lotes públicos fossem vendidos.
Em setembro, por exemplo, a Polícia Civil deflagrou a Operação Terra Fria, que desarticulou um grupo criminoso que atuava invadindo terrenos públicos valiosos, de 20 mil m², localizados no Setor de Mansões Park Way. Os lotes foram avaliados em torno de R$ 3,8 milhões cada. Entre os envolvidos, estão um advogado e um auditor fiscal de atividades urbanas da Agência de Fiscalização do DF (Agefis).
No mesmo mês, sete pessoas foram presas acusadas de envolvimento com a grilagem de terras públicas no DF, durante a Operação Sacerdote. Entre elas, Randel Machado de Faria, síndico do condomínio Ville de Montagne II; Sérgio Rafael Alejara; e o servidor do Tribunal de Contas do DF (TCDF) cedido à Agência de Desenvolvimento (Terracap), Gustavo Adolfo Moreira, que ocupava o cargo de diretor de Gestão Administrativa e de Pessoas (Digap) da empresa.
Fonte: Metropolis

Bombeiro do DF é preso por participação em esquema de grilagem

A PCDF cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária, durante a Operação Déjà-vu



A Polícia Civil do Distrito Federal desmontou, na madrugada desta sexta-feira (12/1), uma quadrilha que grilava terras na chácara 12 da Colônia Agrícola Águas Claras. A operação denominada Déjà-Vu investiga o bombeiro da reserva Carlos Eduardo de Andrade Muniz, conhecido como Kadim. Ele é acusado de comandar o esquema, que vendia, inclusive, casas de alto padrão em área de parcelamento irregular. Além de Kadim, dois filhos outros dois suspeitos também foram presos acusados de fazer parte do grupo.

Ao todo, a organização arrecadou cerca de R$ 5,25 milhões com as vendas irregulares de lotes. O valor pode ser ainda maior, afirma a delegada-chefe da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Pública (Dema), Marilisa Gomes. "Muitas vezes, os compradores dos terrenos parcelados trocam casas entre eles. Isso dificulta as investigações", relata. Para isso, além de cheques, policiais civis apreenderam laptops e telefones celulares dos detidos e de outras pessoas sob investigação.
 
A área grilada estava sob investigação desde 2014. Os investigadores da Polícia Civil descobriram que Kadim e o grupo dividiram o terreno, cuja área equivalia a 2,3 hectares, em 21 parcelas. 15 desses lotes eram destinados a uso residencial, e o restante, a comércios. A quadrilha vendia cada pedaço de terra por R$ 250 mil.
 

Bombeiro foi preso em outras investigações

 
Não é primeira vez que Kadim, 3º sargento do Corpo de Bombeiros, vai preso por uso irregular de terras públicas. Em 2011, a Polícia Civil deteve o militar por fazer parte de esquema de grilagem envolvendo fiscais da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis). 
 
Cinco anos mais tarde, ele foi detido na Operação Sentinela, também por parcelamento do solo. Ambas as prisões eram temporárias, ou seja, com duração máxima de até cinco dias.
 
A delegada-chefe da Dema, Marilisa Gomes, não detalhou o estilo de vida que Kadim e os filhos levavam com o dinheiro proveniente do parcelamento irregular do solo. Porém, ela revelou que a família vivia em uma mansão na altura do Jockey Clube de Brasília, no valor de R$ 1,1 milhão. Segundo Marilisa, a propriedade também está em situação irregular.
 

Filho de chefe da quadrilha seria dono de prédio que desabou em Vicente Pires

 
Os investigadores também investigam se um dos filhos de Kadim tinha o nome inscrito como proprietário do edifício em construção que desabou em Vicente Pires, em outubro. A Polícia Civil não confirmou qual dos irmãos está sob suspeita nesse caso.
 
O mestre de obras do empreendimento morreu no desastre. Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU/DF), a vítima também atuava sem registro profissional.
 
Por isso, as investigações da Operação Déjà-Vu devem indicar outros arquitetos e engenheiros, registrados ou não, envolvidos nos parcelamentos irregulares comandados pela quadrilha de Kadim. Segundo a delegada Marilisa, profissionais envolvidos com obras nesses locais e até mesmo os compradores podem ser responsabilizados criminalmente por participação na grilagem de terras.

Fonte: Correio Braziliense

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

JORNAL CONVERSA INFORMAL DE JANEIRO DE 2018