segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A NOVELA DA COLÔNIA AGRÍCOLA 26 DE SETEMBRO.


Dezessete anos após sua criação pelo decreto 17.502 em vinte e seis de Setembro de 1996, a Colônia Agrícola não continua a mesma, ou seja, está pior que quando foi criada.

Na época da criação e assentamento dos moradores era melhor, pois havia esperança de melhoria e nenhuma perseguição e especulação pelos terrenos. Afinal, aquela terra não tinha tanto valor.

Mas a paz e a expectativa durou pouco. Dois anos depois a área de assentados entrou para uma novela chamada FLONA. Sem levar em conta a importância dos produtores, sem imaginar que eram seres humanos com sentimentos e dificuldades, o governo simplesmente repassou para a União a área que contava com 134 famílias produzindo seu sustento e ajudando a manter o abastecimento do Distrito Federal.

A partir de 1999 começou a  falta de motivação dos produtores assentados, pois começaram também as perseguições para aqueles que eram trabalhadores honestos. Os órgãos federais e distritais envolvidos na questão ao invés de resolver o problema criado por eles, passaram a tratar os produtores como bandidos.

De lá para cá sempre tinha um aproveitador mentindo e ou enganando, hora em troca de votos, outras em troca de terras, mas tudo não passava de promessas mentirosas feitas por aproveitadores.

Com isso quem deveria produzir passou de produtor a grileiro, de homem da roça honesto a bandido perseguido. Pela falta de planejamento, covardia, má administração dos governos este povo passou a viver sem as condições mínimas de sobrevivência: sem água potável, energia elétrica e escola para os filhos. E com a perseguição pelo IBAMA e depois pela Fundação Chico Mendes e vários outros órgãos de repressão do governo, muitos com medo de perder o que tinha conseguido venderam as terras, outros perderam para bandidos que com ameaças expulsaram e invadiram as terras.

Os poucos que resistiram com suas chácaras continuam sofrendo a perseguição implacável dos órgãos governamentais. 

Por culpa única e exclusiva do governo, hoje está consolidado o Setor habitacional 26 de Setembro que conta aproximadamente com 7200 famílias.  

Em nenhum momento os governantes quiseram resolver a situação do local, pois entra governo, sai governo e a situação continua a mesma. Não importa quem ocupe o poder, o povo continua sendo enganado. Candidatos ao governo e a câmara, em época de eleições, chegam e prometem, garantem mudanças, mas na verdade não passam de aproveitadores mentirosos, pois na hora que vencem as eleições abandonam a 26 de setembro e esquecem suas promessas eleitoreiras.

Nesse governo de Rodrigo Rollemberg a população esperava e espera mudanças positivas para o local. Mas, mesmo o então Senador prometendo apresentar outra área para a Flona e regularizar a situação, já nos primeiros dias de seu governo, a diretora da AGEFIS Bruna Pinheiro, em uma entrevista na CBN deixou todos de cabelo em pé e em alvoroço.  Mais uma vez a esperança e expectativa de dias melhores neste novo governo, cai por terra. O pesadelo vivido nos anos anteriores, que se acentuaram nos quatro anos de governo petista com perseguição implacável do GDF, SEOPS, AGEFIS, Câmara Legislativa através de vários deputados, fazendo terrorismo, voltou a reinar. Novamente o povo se sente enganado, pois o Governador Rodrigo Rollemberg havia prometido que as perseguições iriam acabar em seu governo, iria reestruturar a AGEFIS e melhorar as condições de vida dos moradores locais.

Para tentar reverter a situação a AMOVIPE, Associação de Moradores de Vicente Pires e Região, se reuniu com a diretora da AGEFIS e mostrou que o governo com suas proibições de deixar máquinas fazerem o mínimo no local, tal como patrolar as ruas para que os ônibus escolares, bombeiros, ambulância e polícia transite no local, está deixando milhares de famílias com crianças vivendo abaixo da linha da pobreza. São milhares de pessoas sem água potável, energia elétrica, transporte, escola, enfim, sem as condições mínimas de sobrevivência. Diante de tudo isso, a diretora Bruna mostrou um pouco de sentimento e não irá mais apreender as máquinas que forem trabalhar no local, porém ela avisou que todos os invasores com menos de dois anos serão retirados do local.

Apenas em uma segunda reunião marcada com a AMOVIPE e com a administradora Maria Celeste que Bruna informou que nenhum imóvel habitado seria derrubado e que não fará nenhuma oposição para a arrumação das vias. Mesmo com essas palavras os moradores não se sentem seguros, pois ainda não tiveram a garantia do próprio governador de que cumprirá tudo que prometeu e falou quando ainda era senador e ou candidato a governador.

Segundo Gilberto Camargos, a AMOVIPE estará presente em todos os momentos e irá lutar com todos os meios disponíveis para mudar o quadro atual da 26. Ele espera reverter o quadro vivido no governo passado, que não conseguiu retirar o assentamento com uso da força, porém foi retirado o pouco de conforto que havia para se viver com dignidade como, por exemplo, a coleta de lixo, água potável, energia elétrica, saúde pública, segurança e transporte coletivo. E fazendo assim, deixou as pessoas que ali habitam a mercê dos bandidos que fazem o que bem entendem no local.

Para Gilberto Camargos, a situação do assentamento é um quadro irreversível e se o governo tentar tirar os moradores como anunciado pela Diretora da AGEFIS, Bruna Pinheiro, a situação poderá ficar como o acontecido em 1997 na então invasão da Estrutural, pois o povo está unido e disposto a resistir com a própria vida se necessário for.

Mas com a autorização para patrolar e cascalhar as ruas, a situação de caos poderá melhorar um pouco, pois os ônibus escolares terão condições de passar sem quebrar, isso já é uma luz. 

Gilberto espera agora que o governo reconheça que o lugar é uma região consolidada, trate como um ASSENTAMENTO e não uma invasão como chamam a região. Que reconheça também que a região antes do assentamento não era uma mata com plantas nativas da região, mas uma plantação de eucaliptos que não são árvores nativas do Brasil. E se lembrem também que quando a região virou FLONA, não tinha mais condições para isso, pois quando famílias são assentadas, o fazem para produzir alimentos para o sustento e para o abastecimento do local em que vivem. E para produzir é necessário desmatar. Então dois anos depois os assentados já haviam desmatado nada menos do que 80% da área conforme a lei.

É dever do Estado promover a inclusão social das populações carentes e fazer com que ninguém viva abaixo da linha da pobreza, porém falta o apoio legal para estes moradores.

Diante de todo o exposto, os assentados clamam por justiça de verdade e espera ver cumprido o direito do exercício da cidadania imposta pela Constituição Federal vigente. Eles esperam que o governo permita pelo menos o básico para a sobrevivência com dignidade como Segurança, Educação, Transporte, mobilidade com ruas cascalhadas, energia elétrica e saúde. Eles esperam que se promova a regularização dos assentados na Colônia Agrícola 26 de Setembro afim de que os mesmos promovam o fim social da terra, produzindo para a sociedade e vivendo com a tranqüilidade a que todos têm direito.



Eles aguardam ansiosamente que o atual governo cumpra as promessas de campanha feitas em relação a eles. 

Gilberto Camargos

Um comentário:

  1. Temos que manter-nos bem ligado e promover fatos que lembrem o governo que precisamos de mais atenção o 26 de setembro esta abandonado. Vamos nos mobilizar...
    Poderemos apresentar perante orgãos internacionais principalmente da onu em direitos humanos uma representação contra o governo do distrito federal pelo abandono dessa população. sem o minimo de assistencia governamental. meu email: controlssa@gmail.com.
    assina waldemar pelegrino

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